domingo, 11 de outubro de 2009

Repetição

*Repetindo um post, talvez porque aquilo que era ficção me agarrou como realidade. Talvez porque a vida imite a arte.

Acordei numa manhã preguiçosa e te tinha nos braços. O céu estava azul... mas não azul-céu. Um azul mais escuro e encorpado. Fechei os olhos, abri novamente, e aquele azul sufocante continuava ali. Aquilo me assustava... e me parecia um tanto irreal. Olhei pro lado e te vi, e percebi que até o momento não havia notado teu corpo tão junto ao meu. Como? Realmente não sei, porque sentir teu calor era tudo que eu precisava pra mandar embora qualquer medo. Aliás, do teu lado, sentir medo sempre me pareceu supérfulo. Difícil a tarefa de pôr em palavras a sensação que foi, nessa manhã irreal que se tranformava vagarosamente em uma tarde chuvosa, acordar do teu lado. Talvez um tanto nostálgico, posso assim dizer. Seu hálito de bebida alcoólica barata me alertou de seu estado, mas que tinha demais? Te ter comigo, sob quaisquer condições, me parecia melhor do que tudo.Eu não via. Não via que seres humanos vazios podem ser amados também. Antes de meus sentimentos por ti, nada tinhas de especial para ser citado. Porém, o amor transforma. E ao me entregar a você e te amar mais e mais a cada dia, comecei a superestimar. Você era maravilhoso, simplesmente porque eu te amava.
E assim seguia pensando, mesmo sem ter seu amor. Não tinha teu amor, mas te tinha pra mim. Me sentia merecedora daquilo, e isso me alegrava. No fundo, você era um prêmio pro meu ego. Você era a prova de que se eu quisesse algo, era capaz que conseguir.
Você acordou. Foi recebido com um beijo carinhoso de uma garota linda... e apaixonada. E te ter comigo era sublime! Eu farejava no ar o cheiro de nosso amor, na cabeça lembranças da noite passada, de como você me possuiu. O quarto escuro e frio parecia ter vida própria, parecia girar... Mas eu não era tão boba, não. Olhei na sua cara e não vi nada. Nada, nada, nada. O fundo dos seus olhos era um buraco vazio... Então, de repente, a manhã irreal transformou-se numa tarde chuvosa, o quarto mágico que girava voltou a ser apenas um quarto escuro e frio.
Você disse:
-Estou atrasado.
E partiu.
Fiquei deitada na cama, e minha consolação era o aroma que as cobertas exalavam, que junto ao gosto amargo de minha boca e ao seu toque que imortalizei dentro de mim, me mantinham a certeza de que aquilo não era um sonho.
A chuva passou... o sol saiu. Mas, sabe, o céu era azul-céu. E o azul daquela manhã, que tanto me afligia, eu nunca mais vi. Hoje sinto falta...

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